
Quando eu era criança minha avó dizia:
- Cuidado com o que vai falar, palavra é som, som é vibração.
Não tem como ouvir essa frase e não associar àquela sábia "pessoa".
A palavra escrita ou falada é de uma força interplanetária, transcendente. Ela pode nutrir, apoiar, unir, ensinar, destruir ou até mesmo ser um verdadeiro feitiço verbal, envenenando, magoando, plasmando miasmas.
A palavra imbuída de ternura conquista corações, consola dores, cria uma egregora de harmonia e paz. Tão salutar é ao nosso dia a dia à harmonia, independente de acontecimentos, opções, decisões... a tranquilidade que vem de dentro pra fora é que nos dá força nessa jornada.
Tenho certeza absoluta que não vim a esse mundo a passeio, já sobrevivi tantas tragédias gregas,"tantos The Day Afther", tantos Titanic's. Vivo em constante reajuste, me cobro muito, tento acordar cada dia melhor, mas estou longe de ser perfeitinha. Tenho que me policiar e seguir o conselho da "vovó" cuidando do que vou falar - meu telhado é de vidro - a palavra penetra na minha alma. Por isso venho trabalhando a indulgência. Não gosto de fazer a ninguém o que não quero que façam a mim. Procuro em momentos de emoções calorosas (discussão) não falar nenhum tipo de palavra de baixa vibração. Quando estamos brincando ou trocando ideias elas vibram de forma diferente que no momento de raiva, descontrole, impaciência, discordância. O tom que emitimos através das palavras podem iluminá-las ou deixá-las sombrias, foscas e duvidosas.
Nem sempre fui um anjinho de candura em discussões. Uma amiga muito querida que já partiu pro outro lado, dizia:
- Gente, vocês não estão entendendo, estão falando que a Claudinha tem pavio curto... ela nem tem pavio!
Amigos MESMO nos conhecem bem. Ela tinha razão, eu não tinha pavio. Fui me doutrinando com o tempo, com as dores, com a maturidade, a luz do evangelho, com a mediunidade, a necessidade...
Observei que tamanha sensibilidade era a minha, colocava-me na defensiva, me mascarava. No meio de uma discussão o que eu sempre senti foi vontade de abraçar a pessoa e pedir paz... mas o meu orgulho era o primeiro a me ferir.
Há poucos dias alguém que "era" muito caro, especial e importante, com uma só palavra numa frase que podia definir o mesmo destino, porém com outra vibração, estraçalhou um cristal. Talvez ele nunca saiba o que me fez sentir, talvez isso não o interesse nesse momento ou nunca venha interessá-lo. Bem sei que qualquer sentimento pequeno dentro de mim, não tardará a passar. Mas aquele momento, àquela palavra, àquela vibração não tem como ser modificado, já passou, já transformou emoções. Não havia discussão, à palavra saiu do silêncio - o que é pior.
Todos os dias acontecem despedidas em relações diversas. O que determina o adeus, tchau, até breve é o fim de um ciclo ou o livre arbítrio.
Madre Teresa disse: Não permita que alguém saia de sua presença sem estar melhor e mais feliz.
Gostaria de a cada despedida deixar um livro edificante, uma palavra de carinho, um gesto de ternura, uma atitude de amor, uma lembrança feliz. Reconheço que as pessoas nem sempre sentem o mesmo que sentimos. E nem é pra ser dessa forma. Cada um trás um pouco de si, compartilham momentos, experiências e a vida segue, juntos ou em escolas diferentes. Existem lições a aprender e é o nosso nível moral, evolutivo, que determina para onde devemos ir. Isso é muito forte e importante. A vida sempre nos conduz as nossas necessidades de aprendizado, as energias que atraímos, as vibrações simpatizantes, pessoas, lugares, acontecimentos...
A vida não é um rascunho.
Lembrei de uma música do Herbert Vianna que dispensa esse texto:
A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega no momento em que eu queria ver. O segundo que antecede o beijo, a palavra que destrói o amor quando tudo ainda estava inteiro, no instante em que desmoronou. Palavras duras em voz de veludo... Cuide bem do seu amor, seja quem for, cuide bem do seu amor, seja quem for...























Essas despedidas de todos os dias sempre levam um pedaço do que sou. Tão imperfeita ainda , deixei de dizer tantas coisas importantes sem perceber que aquele era o último e único momento para serem ditas.Hoje, morro de mêdo de perder ou não perceber esses momentos, e na maioria das vêzes só tenho o silêncio como resposta.
ResponderExcluirQuando leio o que escreves,me vejo em suas palavras,sou eu,assim como vc,uma menina mulher, romantica,uma fênix que renasce das cinzas com seu vôo suave,doce... mas com muita determinação! Mulher aguerrida e forte,que nem as ventanias e temporais da vida podem derrubar...sempre doando o mais puro dos sentimentos,muito pouco recebendo,mas como vc mesmo disse...naõ perco as esperanças e sei que ainda encontrarei a essência pura e verdadeira da alma!! grande beijo em teu coração! Que o Grande Arquiteto do Universo seja sempre teu guia, é o que te deseja essa amiga virtual...MARA BARRETO
ResponderExcluirClaudinha,vc revelou a mim mesma neste texto,parecia que estava lendo algo que eu escrevi,não me surpreendi,acho que poucas coisas surpeendem nós aquarianas e por sermos nos entendemos bem ,geralmente só de olhar,não sei somos feitas da mesma essência,ou quem sabe da mesma falange espiritual,só sei que adorei o texto e ser sua amiga idem.Estou em Belém,mas quando estou no Rio me sinto realmente em casa,então sabemos que nada acontece por acaso e até a música é uma das minhas preferidas.Escreva ,escreva sempre e muito,é uma das melhores terapias que existem,bjoca.
ResponderExcluirNão há como evitar, a vida é de ciclos. Ciclos se abrem ou se fecham com simples palavras. Na palavra, e na sua entoação, está uma das ricas e precisas expressões humanas. A melhor das atitudes, na recomendação de Madre Teresa, nem sempre garante os melhores desfechos, ou os mais desejados. Nas boas e leves despedidas se fica sempre sem partir, um até sempre é um até já. No imponderável arbítrio das outras repousam dele as suas ruínas.
ResponderExcluirPassei por aqui, gostei e vou ficar.
ResponderExcluirBeijo :)