Criei esse espaço para colocar “Algumas páginas da Minha Vida”, do meu verdadeiro “Eu”, dos pontos vulneráveis na breve passagem nessa existência, da minha personalidade intensa e profunda. Aqui descrevo minha verdadeira essência sem garras, sem medo, sem vaidade, desnudo minha alma, vivencio uma experiência mais espiritual com a intuição e percepção à flor da pele.

Nada te posso garantir - eu sou a única prova de mim...
Clarice Lispector

Amigos & leitores mais que especiais

sábado, 25 de outubro de 2008

Resiliência


Seis longos meses de licença, afastada das atividades profissionais, afastada de mim.
Coloquei-me em stand bay.
Sem perspectivas e sem foco, aliás, meu foco estava no que não fazia mais nenhum efeito, em quem não me queria mais, ao que já havia virado “Pretérito IMPERFEITO do subjuntivo” – “Se...”
Será que os oráculos erraram?
O que aconteceu com o meu Amor Cigano de vidas pretéritas?
E o encontro marcado?
Com o emocional abalado e um punhal cravado na minha omoplata, minha antiga e íntima amiga “hérnia de disco” berrou, gritou. Meu corpo físico e emocional pediam socorro.
Tornei-me desesperadamente chata enquanto pagava um alto preço por um erro que nem mesmo sei se cometi sozinha.
Já não tinha mais os braços fortes envolvendo-me, abraçando-me peito a peito e tão pouco aquela voz que eu amava ouvir falando ou cantando nosso amor puro e a proposta de construir uma grande história.
Que saudade apertada!
Sentia um nó na garganta, frio na alma. Ele dizia que nada no mundo ia nos separar, que esperou por mim a vida inteira e sabia que eu estava pra chegar.
E agora?
Precisei de muita luz violeta, passes, sessões de ayurvédica, reiki, meditação, cristais, longas conversas com amigos, enquanto debulhava-me em lágrimas.
Acendi incenso, coloquei aromatizante de alecrim, rezei, orei, implorei a Deus, aos anjos, a vida, que o trouxessem de volta.
Tinha que dar folga pro Djavan que virou trilha sonora na minha vida, mais um pouco e ele ficaria rouco de tanto cantar pra mim. Era como impregnar o ambiente com a presença dele e dos momentos de muita ternura que vivemos. Senti saudade do ciúme dele, daquele jeitinho gostoso fingido que era preocupação ou cuidado para disfarçar a insegurança enquanto tentava controlar os meus passos.
Mas eu estava ali, sozinha, olhando o violão que ele deixou...
Ah, quantas vezes ele tocou pra mim!
A música tem um efeito incrível, absorvo-a como o ar enquanto transporto-me.
Chegou o momento de retomar as rédeas da minha vida, retornar a empresa, hora de arregaçar as mangas e seguir meu caminho com resiliência. “Resiliência”, isso tive que inventar, forçar em mim a capacidade de dar a volta por cima.
A falta de tesão pela vida seria fruto das escolhas erradas que fiz com o coração, por pura emoção?
Ele não me ligaria mais durante o expediente, não enviaria mensagens e nem me esperaria de surpresa em plena Av. Presidente Vargas com os braços abertos e o beijo gostoso. É, e não estava esperando mesmo.
Que vazio!
As ruas pareciam mais escuras. O Centro da Cidade estava escuro sem a nossa luz.
E Copacabana?
Ah, Copacabana vazia, vazia de nós dois!
Dentro de mim pulsa uma vida holística, um tanto mística. Precisava da minha poçãozinha mágica para despertar a criança interna, pura e verdadeira que estava adormecida. Momento de fortalecer, levantar o olhar, focar e aflorar a menina, mulher e guerreira que sempre fui.
Sou formadora de opinião, escrevo, vivo, sinto, sou mãe, sou mulher. Assumi responsabilidades. É hora de reinventar e escrever uma nova história.
Vida estou de volta!
Amigos estou aqui!
Sobrevivi!
Quero viver e novamente florescer. As flores murcharam e foram arrancadas, mas a raiz ficou inteira.
Obrigada pelo carinho e apoio de cada um que dividiu comigo esse momento e regou cuidadosamente o meu jardim.
Ah, meus florais, minha poção mágica!