Existe um grande problema em ser diferente, um preço alto a pagar... As taxas, tributos, encargos, juros, tudo isso pra mim é muito mais caro e as cobranças são enormes. Tenho que ser muito boa em tudo que faço, bem resolvida em todos os quesitos, muito preparada pra todas as porradas (e olha que não são poucas). Seria como apertar um botão e lá vai:
- Gata, você tem que ser: GATA, "A Namorada", não dá pra ser fraca, tem que ser vencedora, ficar bem na foto, estudar pra ser independente, passar no vestibular, ser líder do grupo, falar em público, andar sempre cheirosa, beijar muito bem, ser boa de cama, entrar linda na igreja, ficar grávida feliz e maravilhosa, sentir contrações como uma "Lady", depois do parto tire fotos na maternidade como uma "Diva", tem que ser destaque na empresa, otimizar projetos desacreditados, ser uma médium muito equilibrada, esposa compreensiva, mulher resignada, orar e vigiar... Ah, depois do segundo filho o peito não pode cair, a bunda tem que estar no lugar, isso tudo sem malhar, mulher como você muitos querem, então, academia nem pensar, é melhor não dar chance ao azar! Administre a casa, o emprego, o marido, os filhos, as contas, a dores, as crises (as suas e as da humanidade)... Casamento acabou? (não chore, não reclame e nem vá arrumar outro homem, eles são sempre iguais), crie os filhos sozinha... Escreva, escreva muito, mas sempre bem, não vá escrever seus surtos, dores, use a palavra pra consolar, esse é o seu dom... E, por aí vai...
Cansei de digitar tantas cobranças, mas vivê-las foi e é quase desumano. Esse é com certeza um problema quase social, se não é social. Falta estrutura pra conviver com o que há de diferente. Sou realmente muito boa em algumas, poucas ou muitas coisas que faço, sou realmente diferente, tá lá na minha pineal, mas sou gente. Ser boa em algumas ações, intuitiva, médium, hiperativa, produtiva, criativa, não me torna melhor em nada, por vezes até me deixa embaraçada... Esse conjunto torna-me mais intensa, profunda... É um Karma. Tamanho assombro sinto com a minha impotência ao saber o que está por vir e não ter muito o que fazer. Por vezes é desconcertante saber o que o outro pensa e sente, principalmente se estou emocionalmente envolvida na situação (seja ela qual for, pois não estou falando sobre um caso isolado)...
Não deixei nada acontecer sem tentar entender, procurei o Papa na psiquiatria, uma excelente escola de médiuns, mudei de terapeuta, estudei cuidadosamente assuntos ligados a espiritualidade, psicologia, terapia holística, fiz terapia de casal na tentativa de salvar o casamento, li a bíblia, conheço o evangelho, minha fé é raciocinada... Minha relação com a vida é profunda, essa é minha obrigação, pois tenho certeza que não vim ao mundo a passeio. Vou transformando meu Karma em Dharma. Mas como eu, existem muitas pessoas por aí, que sequer sabem que são diferentes. Foram rotuladas por uma sociedade sem estrutura e por falta de informação, talvez comodismo, medo, colocaram-se em uma prateleira qualquer...
Muitas empresas ainda não estão preparadas para empregar QI diferenciado. A sociedade nos quer medíocres, sem inteligência, vivenciamos tamanho processo de exclusão. Não estão interessados em formadores de opinião... "Ainda" manda quem pode e obedece quem tem juízo. Eu defendo uma administração sistêmica e holística.
Casamentos acabam antes mesmo de começar, os dias seguintes são construídos pela ilusão... Começam ou não acabam pelo custo-benefício. E o amor? Ah, esse não importa! Padrões são definidos, os sentimentos não estão fluindo, acontecendo...
Dizem que se você tem grana você tem amigos... Quem freqüenta sua casa, te chama pro show, pro bar, só enquanto você está bem não é amigo. Eu tenho poucos grandes amigos e muitos conhecidos. Mas não quero deixar de falar de uma relação de interesse, que me incomoda, por vezes me enoja... Tem gente que pensa que sou tola, boba de verdade, só "escrevo" isso no sentido poético para retratar certa pureza, falta de malícia. Sei bem quem me procura por interesse, pra saber o que vai acontecer, se o namorado, o marido vai voltar, o que vai rolar no trabalho, se vai sair a promoção esperada... Saco bem quem faz isso... Mas não brinco de ser Deus, aceite meu sutil toque quando falo, não gosto de ser usada. Ninguém deve ser usado pra nada. Além do mais o livre arbítrio de ambos determina tudo. Acredite na magia do amor e em maktub (está escrito). O telefone só toca de lá pra cá, só vejo ou sinto o que é permitido por Deus.
Também quero um emprego melhor, prosperidade, o homem que desejo ao meu lado... Mas tudo acontece na hora certa, de acordo com a vontade de Deus e do outro que também tem livre arbítrio - Pensa que Deus deu só a você?
Não fico chateada quando me perguntam o que está pra acontecer, quais as possibilidades... Fico chateada com quem me procura, me "aluga" só pra isso. Tem gente que não tem simancol e me liga de madrugada (fica aqui minha queixa publicada). Não funciono como um GPS. Quer me deixar louca é ligar de madrugada perguntado onde o fulano de tal está. Imagina! Tem gente que confunde tudo e ainda fica com raiva achando que sei e devo falar. É uma loucura! Já perdi supostas amigas por isso. Isso é vampirismo! Abria meu Orkut pela manhã e via que fui excluída porque não fiz um contato imediato de primeiro grau com o além.
Por conta de pessoas desse tipo e de médiuns despreparados encontramos por aí: "Trago o ser amado em 3 dias".
Que vergonha! O amor é a base da vida e é algo recíproco. Se o ser é amado não precisa ser trazido amarrado!
O amor trás, o amor marca encontros nunca esperados, a força do amor faz acontecer. Amor se constrói, não se amarra. O amor se instala aos poucos... O que é amarrado, desamarra, vai embora, não é de verdade, acaba.
A vida me cobra todo dia uma atitude, mas nem sempre tomo a decisão certa, pois também sou feita de emoções.
Um amigo, grande médium, intelingentérrimo, me disse quando comecei a escrever e publicar, que devo escrever minhas experiências a medida que vou vencendo meus limites, que essa é a minha responsabilidade e um tipo de mediunidade. Não me nego de forma alguma a fazer isso. Escrevo para um jornal de cunho internacional ( circulando na Europa, EUA e todos os países da língua portuguesa), apenas artigos edificantes, assuntos que abordem algo sobre a espiritualidade, holística, comportamento... Respondo carinhosamente dúvidas, comentários, críticas e dicas. Esse é o meu compromisso com a vida. Mas me dou ao luxo de brincar com as palavras e escrever algumas viagens, desejos, pra colocar só no blog, pra quem gosta...
Como disse no princípio, eu sei que assusto. Assusto por ser muitas em mim, por ser muito transparente, previsível, por ter todas essas características de mulher "muito" pronta pra vida, bem resolvida, forte, determinada... São apenas características ou potenciais que estou desenvolvendo no meu dia a dia. Estou aprendendo, tomando consciência de alguns dons, dons esses que me chamam pra real.
Imagina minha vida: Duas longas relações, duas separações, filhos e todas essas característica que como disse tem um preço muito alto em uma sociedade machista, que nos querem medíocres... Vivo diariamente um processo de exclusão. Uma nova relação é como ganhar na loteria... Não basta ser bonita, inteligente, gostosa, ter um bom papo, ser cheirosa... Tem que ter algo mais... Até eu tenho questões. Já me disseram que mulher tem que ser malandra. Bom, não sou boa nisso, sou autêntica, transparente, ainda habita em mim uma menina romântica;
Uma amiga falou que não devemos nunca, em hipótese alguma deixar a pessoa saber que estamos gostando, também não sou nada boa nisso, vou esbarrar novamente na minha transparência...
Pior é saber o que o outro está pensando, sentindo, principalmente quando sei o motivo do encontro (Dejavù) e misturar tudo isso à emoção. Tarefa nada fácil, só é fácil quando é pra aconselhar os outros. Eu me embaraço toda, ligo quando não tenho que ligar, me envolvo, não me policio e deixo o olho brilhar, o corpo expressar... Viver é realmente uma arte.
Pego minhas frustrações, meus enganos, decepções e coloco na sacola... Não os deixo guardados por muito tempo, eles pesam e eu sou preguiçosa com pesos... Gosto do meu sorriso e quero evitar as rugas o máximo que puder. Um ex namorado falou que nunca viu ninguém como eu, sorrindo com as adversidades, no meio do caos... Perguntei pra ele o seguinte:
- Quem disse que é pra ser de outro jeito? Não li isso em nenhum manual.
As pessoas alimentam a falsa crença de que é necessário se descabelar com a dor, com as dificuldades, com as tribulações... Eu pego a sacola que guardei minhas frustrações, meus próprios enganos, decepções e despejo, aí escrevo, no final de algumas situações ainda faço piada... Com isso gasto menos em Chronus. Gosto muito de mim, não guardo o que vai me fazer mal.