A vida me PEDIU coragem.
Coragem
para viver as dores que amadurecem,
as decepções que enobrecem,
a fechar ciclos para vivenciar os que seguem.
A vida GRITOU aos meus ouvidos que eu tivesse coragem
para vencer os meus limites, os meus impulsos, a minha vaidade.
Coragem
de ser transparente, intensa, profunda, sem agredir ninguém,
de me expor sem me tornar vulgar, com um fim útil,
para tentar, mas não me culpar quando fracassar.
A vida me EXIGIU coragem.
Coragem
para aprender com os meus erros e auxiliar
com o aprendizado extraído dos meus "próprios" enganos,
para me reconhecer, filha do mundo que me criou,
sem parentes importantes, sem dinheiro no bolso,
para ser mulher, mãe... amparar, acalentar, doar,
tentar reinventar a relação com todas as forças, correndo o risco de não acertar,
para pontuar, interrogar, exclamar e colocar o ponto final.
A vida me SOLICITOU coragem.
Coragem
para sair do status quo,
recomeçar do zero, sem eira nem beira,
para chorar, mas não deixar de cuidar das minhas próprias feridas,
para encarar minhas dores sem me perder,
Para ser excluída de uma sociedade machista, materialista, bizarra, vergonhosa, corrompida.
Coragem, para dar a cara à tapa,
para ser humilhada, mas não esquecer o sorriso na face e ser superior a qualquer hostilidade,
para bater em portas que estão muito bem trancadas e perceber que elas jamais vão abrir,
para gritar, bater pé, não aceitar, dizer não.
A vida tem me ENSINADO a ser corajosa, forte, determinada,
a dar boas risadas quando tudo passa,
a começar tudo novo de novo.
Aprendi que a vida coloca a minha disposição tudo aquilo que mereço.
Nem mais, nem menos, o necessário.
Então, corajosamente vou vivendo...
O meu fundo do poço tem molas. Percebi isso quando tive a coragem de chegar até lá.
"Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer".
Bob Marley